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sexta-feira, 21 de março de 2014

Escritor da favela

Eu nasci no morro
No morro eu me criei
Sou filho de preto, de pobre
Sou favelado
Mas não sou lixo de ninguém.

Como se atreve a pensar que não sou digno de ir e vir
Porque não disponho de grandes bens materiais?
És tão pobre de espírito
Que julgas-me incapaz de escrever um bom livro?
Insultando-me com graves ofensas
Calando-me a voz da garganta
Fechando a porta na minha cara
Ameaçando chamar a polícia
Seu preconceito te assombra
Pois não sou bandido
Não sou bêbado
Tampouco fracassado
Não sou como tu pensas
Com a mente desprovida de inteligência

 [De Jussara Carvalho homenagem aos escritores vítimas de preconceitos]

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Viver com paixão


Uma paixão chega deletando tudo
Abrasando o coração.
E quando vai embora
Só o tempo para concertar os estragos
E preparar o terreno
Para uma nova paixão.

Porém o mundo desaba
Quando não tem quem amar
E se perde a doçura
Das carências e beijos apaixonados
A sensação de está nas nuvens
Quando não se sai do chão.

Fica triste isolado
Amargando cada falta
Que o coração sente.
Não dar pra viver assim
Com o coração fechado para o amor.

O peso de quem limita a se mesmo 
Agride as pessoas a volta
Aumentando a arrogância.
Esquece as boas maneiras.
Achando desnecessário.
Ou excesso de delicadeza
Concluindo que é chatice.

Mas o amor nos deixa mais dócil
Amolece o coração de pedra
Entrega o prazer a alma descontente
Deixa o mundo mais colorido
Cheio de vida, beleza
De sonho e fantasia.

Quando imagina o que está havendo
Com o outro que está ausente
Sofre de ciumes.
Mesmo assim insiste
Em perguntar ao destino
Se algum dia será correspondido
Todo amor que aquele homem rude
Possa ter no coração
E lhe falta coragem de admitir e compartilhar.
É inútil tentar enganar a se mesmo
Procurar outra paixão
Nos braços de outro alguém.
Um grande amor desconstrói? É insubstituível?


(Poesia do livro Demolidor de Corações de Jussara Carvalho)